sexta-feira, 29 de junho de 2012
Nada de "Bye Bye..."
Diferente e ousada. Podem ser esses os maiores atributos da cantora Dryca Rizzo, uma das maiores vozes femininas na cena atual da música brasileira. Conhecida por apresentações ao lado de diversos nomes da música, como Negra Li, Dryca, desta vez, apresenta ao seu público o lançamento o clipe "não me diga bye bye", faixa do seu primeiro trabalho solo “Dryca Ryzzo”, produzido por Dehco Wanlu (Jigaboo) e masterizado no Sterling Sound de Nova Iorque por Jay Franco, com a participação do rapper Rinea BV. Carina Zaratin assinou a direção de fotografia. Os figurinos e a direção de arte são nada mais, nada menos do que Ligia Morris. Vai perder? Então, confere!
"Não me diga Bye Bye." - http://www.youtube.com/watch?v=1MXK2LnNHP8
terça-feira, 19 de junho de 2012
Irmãos, companheiros, camaradas!
Já postei aqui algumas vezes, minha indignação, dirigida aos senhores excelentíssimos habitantes do Planalto Central. No entanto, nada me chocou mais nesta manhã de terça-feira do que uma foto postada na rede.Nessa foto, como se "tudo estivesse normal", Luís Inácio Lula da Silva e o ex Ministro da Educação, Fernando Haddad, cumprimentam o deputado (se é que ele pode ser chamado assim), golpista, mercenário, e fugitivo da Interpol, Paulo Maluf, como se fossem amigos de longa data. O PT (Partido dos Trabalhadores) falou mal de Maluf por diversas vezes. Disseram que sua conduta não faz parte da conduta de um político e cidadão de bem. Agora eu vos pergunto: será que depois desse click, o PT continua sabendo o que é ser um cidadão de bem? Por essa e por outras, que sou obrigada a mandar aqui uma das maiores peripécias de todos os governos petistas de todos os tempos, o episódio mensalão. Agora parece que vai, porque parece que a resolução do caso ficou para agosto (de Deus) de 2012. Outro caso que ronda o Planalto, é o caso Carlinhos Cachoeira (Little Charles Waterfall). Mas pelo jeito, vai demorar um pouco até que seja resolvido. Bem, como todo problema brasileiro, "as piscinas transbordaram" quando Lula apertou "amigavelmente" a mão de Maluf. Pode ser um gesto de educação? Pode. Pode ser sinismo? Pode. Pode ser sinal de amigo da onça? Claro que pode. No entanto, Lula criticou tanto o herdeiro da Eucatex que para sua figura pública de bom político, fica até "feio", digamos assim... O fato é que político, seja ele do PT, PSDB, PTB, ou o que for, é sempre político. E eles, queridos cidadãos, só irão lembrar de você nas tão "concorridas" eleições. Luís Inácio Lula da Silva, nada mais fez do que apertar a mão de um dos piores inimigos do Brasil. O homem de contas "gordas" no exterior. O homem da ROTA. O homem do "estupra mas não mata." O homem do "se o Pitta não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim." E olha que o Pitta foi um homem tão bom, que nem depois de morto, foi visitado pelo homem que "rouba mas faz." É senhores, fica a dúvida. Quem está errado? Quem está certo? Eu só espero que Lula e Maluf não se tornem uma espécie de Roberto e Erasmo.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Brasiliaans: glücklich in scheiße und armut (Brasileiros: Felizes na merda e na pobreza - O fantástico mundo verde e amarelo)
"Eu prefiro uma Coca-Cola." Eram aproximadamente 18:15 hrs em São Paulo. Seria um dia normal, caso não fosse o intervalo de 1 hora entre os trens da CPTM na linha 8 - Diamante que liga Júlio Prestes à Itapevi.
Empurra, empurra, caos. Símbolos de uma grande metrópole. Mas como símbolo de uma cidade como São Paulo, merece uma crônica. Comecei a observar as pessoas ao meu redor. Homens, mulheres, crianças, idosos. Ambulantes, pedreiros, secretárias, professores, mães, pais, filhos. Começo uma busca incessante entre o bem o mal. Não o bem e o mal das histórias em quadrinhos ou dos filmes de Hollywood, mas o bem e o mal de estar ou não satisfeito com o cotidiano de sua vida numa grande cidade.
De repente,aquele constrangimento todo, começa a desabrochar comediantes de dentro dos passageiros. Assim mesmo, sem mais nem menos. Alguém grita em meio a multidão: "olha a chuva! Já passou!" (em alusão as tradicionais festas juninas que acontecem todo mês de junho no Brasil). Os mais "esquentadinhos" mexem a cabeça em sinal de reprovação. E a viagem segue. Até que uma mulher de aproximadamente solta: "é um absurdo isso. Tratam a gente como bichos." Reparo na reação das pessoas quando ela faz esta observação. Pareceu até um ponta-pé inicial às reclamações.
Bem perto dela, um grupo de jovens de terno e gravata começa a reforçar e argumentar a reação da mulher. Um deles reclama sobre a falta de transportes que pode acontecer na Copa da FIFA de 2014 NO Brasil. Quando novamente, do meio do vagão, alguém dispara: "vai gente, isso é Brasil." Todos riem. Volto a observar. Um senhor, de pele escura, feição cansada e mochila na frente do corpo, indignado, responde a si mesmo o motivo da felicidade de algumas pessoas ali presentes: "o cara tá feliz na merda."
As palavras daquele senhor, me levaram à crônica, ou à reportagem, ou como quiserem chamar esse texto, que os senhores lêem neste exato momento.
É fato que atualmente o brasileiro virou moda no exterior. Incomodamos até mesmo aos finíssimos cidadãos argentinos por termos alcançado o quinto lugar no ranking da economia mundial.
Mas não é só isso. Acredito também, que muitas vezes, o brasileiro não sabe dar valor aos produtos que tem. E como disse o senhor, passageiro do trem, alguns são sim, felizes na merda. E não só na merda, mas também na pobreza e em todas as adversidades. Eu poderia escrever jornalisticamente mas não serviria de nada. Afinal, ninguém, eu dissa absolutamente ninguém, gosta de ler coisas que são escritas para "executivos lerem."
Outro assunto que gostaria de expor é que pagamos em São Paulo, R$3,00 por uma viagem em qualquer das linhas da CPTM, e mesmo assim, temos um PÉSSIMO serviço. Trens atrasados, vagões completamente desproporcionais ao uso humano. Sim senhores,nós brasileiros somos uma espécie de "boiada" para os senhores habitantes do Planalto Central. Mas você, senhor, você senhora, vai ser lembrado neste ano, ano de eleição. Outro fato é que nos delimitamos a "achar" que os pŕodutos importados são melhores do que os nacionais. Fato que gera outra discussão. Um dia desses, ao entrar para uma palestra na Universidade De São Paulo-USP, um colega de classe simplesmente virou para a sala e disse: "por que será que criticam tanto a Copa de 2014 aqui no Brasil?"
Fiquei sem resposta por alguns minutos. Mas é uma pergunta que vários de nós fizemos quando o Brasil recebeu (e ainda vem recebendo) critica em cima de critica por causa desse evento. O restante da turma, apenas riu, fez deboche do país, e mais uma vez, o brasileiro ficou "feliz na merda."
No entanto, juntei esses fatos e resolvi postar aqui nesse humilde relator de histórias urbanas, cometido e fincado num link de uma rede qualquer no vulcão brasileiro em erupção que é o centro da cidade de São Paulo.
Voltando aos versos, nesse anos de eleição, tudo, vira simplesmente tudo! Políticos tornam-se povão, e consequentemente, acreditam que são parte do problema. O prefeito Gilberto Kassab até repete o erro do meu colega de classe da USP, se perguntando o por que da negação de alemães e afins para com a Copa da FIFA Brasil 2014. É meus caros, peripécias de pré-eleições!
Mas para o prefeito e para os "estudantes de classe A" eu, essa humilde jornalista e troca letras que vos fala, tenho a resposta: é muito fácil não ligar para os problemas do país quando se tem dinheiro na conta milionária, carro importado, convênio médico e conforto. O Brasil é tão criticado porque nos países europeus e de América do Norte, não vemos crianças pedindo esmola no farol, nem trabalhadores ganhando um salário mínimo por mês e muito menos gente morrendo nos corredores dos hospitais. Parte dos políticos do Brasil ligam mesmo é para as suas viagens "valiosas" ao exterior. Enquanto isso, o brasileiro prefere Coca-Cola ao Guaraná. "TÁ EXPLICADO."
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Tropicalia in Furs: um canto da zona leste de São Paulo em NY

Abacaxis, laranjas, bananas e muito verde e amarelo por trás da loja de vinis mais procurada de Nova York
POR YARA MORAIS
Faz sol em Nova York. O relógio central na Times Square marca 33°C. Mas não é na famosa e elegante avenida nova-iorquina que está o destino dessa reportagem.
Rua 5, bairro East Village, no coração de Manhatan. Ali é possível ouvir sons de Tim Maia, Gilberto Gil, Jorge Ben e Caetano Veloso. A loja, com paredes coloridas forradas de discos de vinil, é a popular Tropicalia in Furs, que abriga a maior coleção de discos da Tropicália existente no mundo, e que já recebeu ilustres presenças do hip-hop mundial, como Egon, Edan e Mike D (Beastie Boys), entre tantos outros. Com preços que vão de US$ 3 a US$ 6.000, fazem daquele canto brasileiro em Nova York um fascínio para DJs, produtores e todos aqueles que gostam de música popular brasileira.
A loja é um projeto do brasileiro Joel Oliveira (ou Joel Stones), DJ e apresentador de programa de rádio. Começou sua trajetória nos EUA como engraxate e, devido à sua simpatia, ganhava convites para jantar. Começou a discotecar nas horas vagas e, com o dinheiro que ganhava, comprava discos brasileiros e os revendia. Em dado momento, alugou um porão escuro no sebo Norman’s Sound & Vision e deu-lhe cara nova (“cara de Brasil”, como ele mesmo define). Saiu comprando todos os discos brasileiros que encontrava pela frente. Durante algum tempo, conciliou a loja com a graxa e os sapatos. Mas o trabalho com os discos cresceu e exigiu dedicação integral do brasileiro, que deu "adeus" à vida de engraxate.
Joel conta a quem quiser ouvir que, no início, pouquíssimas pessoas o conheciam. Até que foi descoberto por “gente da música”, pessoas que hoje mantêm contato com ele para saber sobre vinis raros. Ele, como bom brasileiro, paulistano da zona leste, até mente quando não tem o álbum buscado, só para o cliente conferir pessoalmente.
O dono da Tropicalia in Furs já foi até personagem de um documentário, numa cena em que vendia uma cópia rara de vinil do Os Mutantes. Outra de suas “artes” é a junção Brazilian Guitar Fuzz Bananas: Tropicalista Psychedelic Masterpieces, 1967-1976, com 16 faixas acompanhadas de encarte, além de um DVD que retrata encontros do brasileiro com Egon, Marisa Elijah Wood – protagonista de Senhor dos Anéis. Mas na verdade, o que chama mais a atenção de quem passa pela loja é a simpatia daquele canto brasileiro nas artérias de Nova York.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Lembranças de Auschwitz

As tristezas do campo de concentração onde mais morreram judeus na época Hitler contadas por um sobrevivente
Por Yara Morais
“Preconceito existe em todo e qualquer lugar do mundo, mas aquele preconceito era diferente. Era uma guerra sanguinária.”
Alemanha, abril de 2010. Mês em que a Europa fora invadida pela nuvem de fumaça que se alastrou por todo o continente. No Brasil, as pessoas estavam ansiosas para a convocação da seleção de Dunga para a Copa da África do Sul. Enquanto meu país priorizava o futebol, resolvi me aprofundar na Alemanha do início da década de 40. Década marcada por Adolph Hitler. É difícil caminhar pelas ruas e não se lembrar dos dias que retrataram aquele período. Berlim está diferente, é visível a melhoria da cidade depois da derrubada do muro que separava as duas Alemanhas. Mas meu destino era outro. Bremen, uma pacata cidadezinha no noroeste do país. Chegando à cidade, sento-me na calçada com alguns jovens que cantam ao som de Beatles. Puxo conversa. Futebol, samba, é uma grande novidade para eles. “Vocês vivem na praia todos os dias,” comenta uma moça de aparente 25 anos de idade. E completa: “meu avô sempre quis ir ao Brasil para lá, mas não conseguiu. A época dele não permitia a liberdade que temos hoje.” Explico a moça, a minha função no Brasil. Uma longa conversa e ela me convida para conhecer o sítio onde mora com a família. Ao chegarmos, observo um senhor na varanda. Pele branca, olhos claros, típico europeu. Na sala da casa as janelas dão de frente para a plantação de rosas vermelhas. Catharine me apresenta ao avô que, quando sabe sobre minha nacionalidade solta: “o Brasil parece coisa de cinema, aliás, a guerra lá é pela bola.”
Com um sorriso que carrega a marca de 90 anos de idade, Andreas Marcinkowski, possui no rosto as marcas de quem viveu momentos de horror sob o poder de Adolph Hitler. Iniciamos uma conversa descontraída, até que pergunto se ele passou por algum campo de concentração naquela época. Sem hesitar ele responde: “meus pais eram judeus. Morreram em Auschwitz. É impossível tirar aquilo da minha história.”
Por diversos momentos eu sentia que aquele homem tinha muito para contar. E eu estava certa. Polonês por naturalidade, ele vivia com os pais e irmãos quando todos foram capturados por soldados de Heinrich Himmler. “Éramos judeus, aquilo era inadmissível para eles. Os soldados diziam que fazíamos mal para a espécie humana.”
Andreas se emociona ao falar da chegada no campo de concentração: “Separavam a gente. Velhos e crianças de um lado, jovens do outro. Os jovens eram recrutados para o trabalho. Aquele lugar era horrível. Tudo era cinza.”
Entre um comentário e outro ele ri, conversa com os netos, faz questão de mostrar o sitio em que mora. Faz bem o tipo avô, mas faz muito mais o estilo sobrevivente. Aponta para o norte. “Eles iam para a Polônia em bando”, relembra, referindo-se aos soldados. “Davam-nos roupas com números, e aparavam os cabelos das pessoas. Depois daquele dia nunca mais vi meus pais vivos. Somente gritos pela noite, e eu pensava que um daqueles gemidos podia ser de um deles.” As lágrimas correm pelos olhos. Seria inevitável, afinal, tudo aquilo fez parte de sua vida. Mal me deixa perguntar e já dispara: “eu não sei ao certo quantas pessoas morreram lá. Mais milhões de judeus perderam suas vidas por causa de um preconceito. Lembro-me de muitas vezes que eu trabalhei na casa de comandantes. Carregava entulho, terra, e se derramasse um punhado que fosse, apanhava até desmaiar. Às vezes eu não dormia. Tinha medo de acordar no banho da morte [referindo-se aos banhos de ácido].”
Neste momento ele pára a conversa e vagarosamente continua a caminhar. Volta-se para mim e, surpreendentemente diz: “tive que colocar o corpo da minha mãe para ser queimado.” Ao se deparar com o meu semblante de espanto, completa: “eu ajudava na fornaria. Queimava muitos corpos, queimava minha gente sem poder derramar uma lágrima.” Por um momento as imagens tomam conta da minha memória. Pergunto sobre sua mãe. “Ela era linda, por isso eu a reconheci. Quando olhei para ela deitada, morta, com hematomas por todo o corpo, tive vontade de abraçá-la e morrer junto com ela. Mas não pude. Tive que me fazer de indiferente. Colocar o corpo lá como se fosse de um desconhecido.”
Fiquei sem reação. Ele limpa o rosto e volta a caminhar. Aquela era, com certeza, uma das mais impressionantes histórias de vida que havia escutado. Marcinkowski lembra perfeitamente do dia em que fugiu do campo de concentração. “Eu e outro rapaz aproveitamos um deslize dos soldados e escapamos. Aguardávamos aquele deslize há meses. Eu nem acreditei quando sai de lá. Durante muito tempo ficamos escondidos no meio da mata, como bichos.”
O amigo, Samuel, que fugiu com Andreas, morreu em 1993, com problemas cardiológicos, conta. Depois da fuga, Andreas não viu mais os irmãos. Ele acredita que por serem crianças levaram o mesmo fim dos pais. Em maio de 1946 ele se casou com uma jovem alemã, com quem teve dois filhos. Hoje, ele guarda tristezas e alguns momentos tranquilos daquela época, como as partidas descontraídas de futebol, mas, guarda principalmente o mais triste deles: o instante em que teve que queimar o corpo da mãe.
Já era tarde, eu precisava voltar para o hotel antes de partir para Berlim. Despeço-me dele e dos netos. Agradeço pela conversa. Ele, então, sorri e finaliza: “aquela Alemanha do Hitler morreu, por isso vim para cá. Mas os judeus, sejam eles alemães, poloneses ou belgas, por mais que tenham sofrido sobreviveram. Eu não sei quantos anos mais vou viver. Mas só por ser um sobrevivente já valeu a pena ter passado pela vida.”
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Encontre o Ian

Amigos, colegas jornalistas e todas as pessoas que puderem ajudar, atenção!
O sobrinho da MC Dedeus, foi sequestrado!
Ele foi para Florianópolis dia 20 de Julho com a mãe. Deveria voltar dia 04 de agosto mas não retornou. O celular, tanto da mãe quanto do padrasto não atendem, se quer dão sinal. Toda a polícia de Florianópolis e a Polícia Federal estão à procura.
Gostaria de pedir, encarecidamente, que nós, da imprensa, e principalmente meus amigos da imprensa catarinense, fizessemos a nossa parte!
Sabemos que centenas de crianças desaparecem por ano no Brasil. Vamos mudar isso!
Ajude-nos a encontrar o Ian.
Qualquer informação entre em contato:
(011)6335-9195 OU LIGAR PARA O DELEGADO Dr.Pedro no telefone (048) 3271-6226/3271-6200.
A família agradece!
Abraços
Yara Morais
sábado, 29 de maio de 2010
João Wainer: Minha Lente, meu olhar

De Lula a Mano Brown: A luta periférica através das lentes de João Wainer
“A periferia me escolheu antes mesmo que eu escolhesse ser fotógrafo.” Era junho do ano de 2009, mês que antecedia a finalização do meu vídeo documentário: A voz da periferia, a vida como ela é. Uma enorme lista de nomes, de simples moradores da periferia a famosos rappers, eram alvo das minhas entrevistas. Mas, um nome em especial liderava essa lista, não só pelo fato do trabalho reconhecido, mas por conhecer de perto o cotidiano das periferias de São Paulo. Devido ao cansaço das correrias, adormeci, sem saber o que estaria por vir. Desperto do sono com o barulho do celular, na tela a surpresa: João Wainer. Retorno a ligação e para meu azar o número não atende. Aguardo alguns instantes e o celular volta a chamar. Iniciamos uma conversa seguida de um convite: acompanhar João Wainer e equipe até a Copa da Paz, torneio de futebol realizado em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo.
Já em Paraisópolis e, acompanhando a equipe, passo a vivenciar a realidade de uma das maiores comunidades do país. Mas aquele dia seria mais do que isso. João Wainer e seu irmão, Roberto T. de Oliveira são reconhecidos e respeitados em cada canto que passavam, mas era um reconhecimento diferente, era um respeito de “mano pra mano.” A partida de futebol estava emocionante. A final entre Vida Loka e Bate Fácil animava a torcida, a mim, e, principalmente as lentes da câmera de João Wainer. No entanto um anúncio mudaria o destino daquela noite. Vida Loka consagra-se campeão. Para entregar o troféu é anunciado, inesperadamente, Pedro Paulo Soares Pereira, ou melhor, Mano Brown, um dos maiores líderes negros deste país. Corro para o meio do campo para ajudar com os equipamentos, e, então vejo Brown, num estilo periferia, cumprimentar João e Roberto. Sem hesitar, Roberto me apresenta a Brown, trocamos algumas palavras, e, como ele mesmo rima em um de seus versos mais conhecidos: “eu tenho uma missão e não vou parar, meu estilo é pesado e faz tremer o chão.” Naquele momento eu me sentia assim, porta voz, guerreira, suburbana convicta. Percebi que não só eu mas, João Wainer, apesar de não demonstrar, se emocionava a cada coisa que tinha a oportunidade de fotografar.
João Wainer, sem dúvida, carrega no sangue o DNA do seu avô, Samuel Wainer. Neste dia conversamos sobre muitas coisas em prol da periferia, no que pode mudar, e no que já está mudando. Em outra oportunidade tivemos uma conversa extensa, falamos sobre Rap, periferia, juventude. João explicava o porquê escolheu a periferia, ou melhor, como ele mesmo diz, a periferia o escolheu: ”a periferia me chamou a atenção por ser uma realidade diferente da minha. Eu queria andar livre pela minha cidade, com a janela do carro aberta, sem medo algum.”
Levo a idéia mais adiante, pergunto sobre a vida profissional, as fotografias. Ele sorri e responde: “já fotografei do Lula ao cemitério São Luiz, e é uma coisa muito louca de se ver. Por exemplo, a primeira vez que eu fui ao São Luiz, eu sentei na calçada e fiquei observando atento tudo aquilo. Ver as mães que iam visitar os filhos mortos é meio que a inversão da ordem natural das coisas, e aquilo mexeu muito comigo.”
Wainer abaixa a cabeça e pensa. Sorri, oferece um refrigerante. Pergunto quem ele considera o maior ídolo das periferias. Ele, responde: “existem grupos de Rap muito bons como Relatos da Invasão, Função RHK, muita rapaziada qualificada. Mas, ídolo, sem dúvida alguma, é o Brown, ele é o grande ídolo das periferias, ele é o cara”, conclui.
E é esse mesmo Mano Brown – e não só ele como os seus companheiros de Racionais MCs, que foram clicados inúmeras vezes por João Wainer. Mas, não só o grupo teve sua imagem imortalizada pelas lentes do fotógrafo. Dexter, Jair Oliveira, Elza Soares, Max de Castro, Chico Buarque e o já citado Presidente Lula, também já foram clicados por ele.
O tema se estende, e, João mostra que suas lentes conectam muito mais que imagens, conectam almas. “Chegar na periferia e ver que aquela gente é feliz apesar dos problemas, é gratificante. É muito louco aquilo, a galera no churrascão na laje, som do carro ligado no talo, saca? É mó barato.”
O fotógrafo que já percorreu periferias de vários lugares do mundo, como a de Kingston, diz que fotografar a periferia tem um algo especial, que não daria para explicar em algumas palavras. No entanto, o homem dos retratos sensacionais, do incrível “Pixo” (assista ao trailer), e dos cliques de Carandiru e de muitas coisas que o Brasil finge desconhecer, cita em uma frase de Tia Dag, uma realidade vista por suas lentes, que são, na verdade, seu olhar: “o moleque da periferia é bem mais forte do que o moleque da classe média, porque se ele conseguiu sobreviver até os 15 ou 18 anos passando por tanto perrengue, ele pode passar por muito mais coisas que sobreviverá.” E completa: “ninguém segura a periferia. Eles tem um estilo próprio, eles crescem a cada dia. Essa galera vai longe.”
Nesse momento, o som “Povo da Periferia”, de Ndee Naldinho, passa pela minha mente. João continua, explica e acrescenta detalhes. Mostra que suas lentes são capazes de retratar muito mais do que imagens. Mostra que a luta da periferia vai de Lula a Mano Brown, de Che Guevara a Martin Luther King, mas sem perder a riqueza de cultura e, o principal, sem perder a alegria. E finaliza: “há 15, 16 anos eu escutei Racionais pela primeira vez e fiquei louco! A maneira com que o Brown falava como ele descrevia as coisas, aquilo chamou muito a minha atenção. Como eles [Racionais] mesmo dizem, periferia é periferia. E o guerreiro de fé, o pai de família, o trabalhador – esse nunca gela, não agrada o injusto e não amarela."
Essa matéria, foi publicada em primeira mão no site do Central Hip Hop... Lá tem fotos e td mais... Confiram!
(Por Yara Morais)
sábado, 3 de abril de 2010
A "Dita"...

Um dia desses me peguei conversando com um senhor, médico por profissão, e gestos que me chamaram bastante a atenção!
A forma de andar, como se estivesse olhando prisioneiros dentro de uma cela,não era um andar comum.
Pedi pra que ele me falasse sobre o número de seu CRM (Conselho Regional de Medicina), e descobri através daquele número, doze mil ponto alguma coisa, que por trás daquele jaleco branco, de um diretor de hospital "frágil", e de uma simples entrevista, saíriam histórias que jamais pensei que fosse descobrir. O foco da entrevista mudou, e mudou desde o momento em que aquele simples médico me contou que fora, na época da ditadura, Médico assistente do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) criado durante o Estado Novo, cujo objetivo era controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. DR. Luiz, me contou então, como conheceu nessa mesma época, a candidata à presidência Dilma Rousseff.
Publicarei essa entrevista dentro de alguns dias!
(Por Yara Morais)
terça-feira, 23 de março de 2010
Delegada diz ao juri que tem certeza da culpa dos Nardoni

Ocorreu hoje o segundo dia de depoimento do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, supostamente assassinos de Isabella Nardoni em março de 2008.
Ouvida por toda a manhã, a delegada Renata Pontes, que acompanha o caso desde o início, disse ter certeza de que o homicídio foi cometido pelo casal Nardoni. "A cada dia da investigação, tinhamos plena certeza de que o crime foi de autoria do casal", afirmou.
Ao ser questionada pelo advogado de defesa, Roberto Podval,sobre em quais locais do apartamento haviam vestígios de sangue, a delegada respondeu que somente a perícia estaria qualificada para responder esse tipo de questionamento. Logo após, Podval, perguntou se as roupas de Alexandre Nardoni possuiam sangue, Renata Pontes, então, respondeu:"Sim, na bermuda dele havia sangue, mas não era da menina Isabella".
O julgamento continua pelo menos até a sexta-feira próxima. O casal Nardoni ainda não prestou depoimento.
Por Yara Morais (Direto do Forum de Santana na Zona Norte de São Paulo)
sábado, 6 de março de 2010
Oitavo Anjo


Precisava postar aqui, algumas fotos feitas pelo fotógrafo João Wainer, que trouxe de volta a face de Dexter, um dos rappers que mais engrandecem o cenário do Rap Nacional.
O Oitavo Anjo.
"Bem ou mal, coisa e tal, sobrevivi
Como Fênix renasci
Sou guerreiro de fé e por Deus abençoado"...
(Letra de Fênix / Dexter)
Fotos: João Wainer
Assinar:
Postagens (Atom)

