"Que me desculpem Vinicius de Moraes, os editores e os redatores, mas repórter é fundamental. É certamente a única função pela qual vale a pena ser jornalista. Jornalista não fica rico, a não ser um punhado de iluminados, jornalista não fica famoso, a não ser outro (ou o mesmo) punhado e assim mesmo no círculo restrito que frequenta ou no qual é lido.Jornalismo, por isso, só vale a pena pela sensação de se poder ser testemunha ocular da história de seu tempo. E a história ocorre sempre na rua, nunca numa redação de jornal. É claro que estou tomando "rua" num sentido bem amplo. Rua pode ser a rua propriamente dita, mas pode ser também um estádio de futebol, a favela da Rocinha, o palanque de um comício, o gabinete de uma autoridade, as selvas de El Salvador, os campos petrolíferos do Oriente Médio. Só não pode ser a redação de um jornal. Por isso é um privilégio ser repórter. Não se trata de menosprezo a função dos companheiros editores e redatores. Até porque jornalismo é um trabalho em equipe, em que um bom editor valoriza ainda mais uma boa reportagem, um bom redator pode melhorar o texto de um repórter e assim por diante .... O repórter nasceu para ser odiado pelo presidente da República. Afinal, o presidente (qualquer presidente em qualquer país) tem uma intensa parafernália de meio para dizer sua verdade. O repórter tem apenas o que já se disse antes: a disposição para transpirar muito em busca da verdade fugidia e num mínimo de inspiração para contar bem a sua história...Repórteres são felizes na sua estranha maneira de viver a vida"... (Clóvis Rossi)
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